É possível ser otimista sobre desacordos profundos?
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Resumo
Neste trabalho, investigaremos algumas dificuldades em se adotar uma posição otimista em relação a desacordos profundos. A visão otimista sustenta que tais desacordos podem ser resolvidos racionalmente, ao passo que a perspectiva pessimista defende o contrário. No entanto, uma das principais controvérsias sobre a origem dos desacordos profundos, presente na obra Sobre a Certeza (1969) de Wittgenstein, reside justamente na exata natureza das proposições estruturantes, ou certezas fulcrais. Nesse contexto, argumentamos que a interpretação de cada autor sobre a possibilidade de resolução racional dos desacordos profundos depende diretamente de sua concepção acerca da natureza das certezas fulcrais. Mostraremos que as interpretações não epistêmicas das certezas fulcrais tendem a convergir para uma visão amplamente pessimista quanto à resolubilidade dos desacordos profundos. Apesar de boa parte das interpretações baseadas em Wittgenstein tenderem ao pessimismo, argumentamos que é possível adotar uma perspectiva otimista. Aqui defendemos a possibilidade de um otimismo moderado baseado na sensibilidade ao quadro de referências do interlocutor. Em outras palavras, mostramos, com exemplos práticos, que a disposição especial à imagem de mundo, valores e pressupostos do interlocutor redunda na possibilidade de resolução de desacordos profundos.
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