É possível ser otimista sobre desacordos profundos?

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Marcos Silva
Alexandre Rodrigues

Resumo

Neste trabalho, investigaremos algumas dificuldades em se adotar uma posição otimista em relação a desacordos profundos. A visão otimista sustenta que tais desacordos podem ser resolvidos racionalmente, ao passo que a perspectiva pessimista defende o contrário. No entanto, uma das principais controvérsias sobre a origem dos desacordos profundos, presente na obra Sobre a Certeza (1969) de Wittgenstein, reside justamente na exata natureza das proposições estruturantes, ou certezas fulcrais. Nesse contexto, argumentamos que a interpretação de cada autor sobre a possibilidade de resolução racional dos desacordos profundos depende diretamente de sua concepção acerca da natureza das certezas fulcrais. Mostraremos que as interpretações não epistêmicas das certezas fulcrais tendem a convergir para uma visão amplamente pessimista quanto à resolubilidade dos desacordos profundos. Apesar de boa parte das interpretações baseadas em Wittgenstein tenderem ao pessimismo, argumentamos que é possível adotar uma perspectiva otimista. Aqui defendemos a possibilidade de um otimismo moderado baseado na sensibilidade ao quadro de referências do interlocutor. Em outras palavras, mostramos, com exemplos práticos, que a disposição especial à imagem de mundo, valores e pressupostos do interlocutor redunda na possibilidade de resolução de desacordos profundos.

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Biografia do Autor

Marcos Silva, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Professor adjunto do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É o atual presidente da Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica (desde 2023). É bolsista de produtividade 1D do CNPq. Foi coordenador do PPGFIL/UFPE de 2021 a 2024 durante a aprovação e implementação do programa de doutorado. Desde 2020, atua como Editor Chefe da ''Perspectiva Filosófica''. Em 2025, ganhou bolsa do programa HUMBOLDT/CAPES para ser pesquisador visitante na Freie Universitaet Berlin, supervisionado por Barbara Vetter. Em 2018, ganhou o FULBRIGHT JUNIOR FACULTY MEMBER AWARD e foi pesquisador visitante na University of Pittsburgh, supervisionado por Robert Brandom. Em 2008, defendeu seu mestrado sobre alguns problemas da aplicação em filosofia da técnica de mapeamentos isomórficos. Em 2012, doutorou-se a respeito do colapso da filosofia da lógica do Tractatus de Wittgenstein. O mestrado e o doutorado em Filosofia foram supervisionados por Luiz Carlos Pereira, na PUC-Rio. De 2009 a 2011 fez parte de seu doutoramento (Sandwich) com bolsa do DAAD (Deutscher Akademischer Austauschdienst) na Universität Leipzig (Alemanha) com Pirmin Stekeler-Weithofer. Em 2012, pesquisou, como pós-doutorando, o Problema da Exclusão das Cores e o Quadrado de Oposições Aristotélico no PPGF/UFRJ com Jean-Yves Beziau. Desenvolveu pesquisa pós-doutoral financiada pela FUNCAP/CAPES, de 2013 a 2015, com André Leclerc, na Universidade Federal do Ceará (UFC). Participa como membro permamente do quadro docente dos Programas de Pós-graduação em Filosofia da UFPE e da UFAL. É membro da Alfa-n (Associação Latino-Americana de Filosofia Analítica), da SBFA (Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica), da Sociedade Brasileira de Lógica (SBL) e da ALWS (Austrian Ludwig Wittgenstein Society). Já apresentou tópicos de sua pesquisa em vários países, como Uruguay, Argentina, Portugal, Itália, República Tcheca, Bélgica, França, Áustria, Inglaterra, Estados Unidos e Alemanha.

Alexandre Rodrigues, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Graduando em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) tem interesse em Filosofia política, epistemologia e lógica. Atualmente, está engajado em um projeto de pesquisa de iniciação cientifica sob orientação do Prof. Dr. Marcos Silva (UFPE) intitulada: Revisão da Lógica: Uma Proposta Pragmatista. Membro do grupo de pesquisa Consciência e Cognição (UFPE/CNPq). 

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