A enciclopédia da desmedida do Marquês de Sade

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Eliane Moraes

Resumo

Da publicação da Enciclopédia à voga da libertinagem como estilo de vida, a sensibilidade do século XVIII francês foi marcada por transformações decisivas que, elegendo o excesso como denominador comum, tiveram particular impacto nas formas de vivenciar e de representar o corpo. Testemunha privilegiada dessas mudanças, o Marquês de Sade as interpretou ao seu modo, criando uma obra única que responde a um efetivo intento de produção do excesso. Dentro dela, Les 120 journées de Sodome (1785,) se destaca como uma enciclopédia da mais desmedida fantasia libertina.

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Biografia do Autor

Eliane Moraes, Universidade de São Paulo (USP)

É professora de Literatura Brasileira no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH da Universidade de São Paulo (USP) e bolsista Produtividade 1B do CNPq. Graduada em Ciências Sociais, com mestrado e doutorado em Filosofia na USP e pós doutorado na Universidade Paris Nanterre (FR - Bolsa Fapesp), foi professora titular da Faculdade de Comunicação e Filosofia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC - SP) e pesquisadora do Programa Ano Sabático 2021 do IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP. Atuou como professora visitante nas universidades da California em Los Angeles (UCLA - USA), de Paris Nanterre (PARIS 10 - FR), de Perpignan Via Domitia (UPVD - FR), Nova de Lisboa (UNL - PT) e na PUC-Rio. Desenvolveu e coordenou projetos em colaboração com as universidades Paris 10 (Nanterre), Paris 8 (Vincennes Saint-Denis), Paris 4 (Sorbonne Université) e Paris 3 (Sorbonne Nouvelle), desta sendo membro associado do CREPAL - Centre de recherches sur les pays lusophones. Realizou pesquisas e publicou trabalhos sobre as relações entre estética e erótica; sobre o Marquês de Sade e a literatura libertina do século XVIII europeu; sobre Georges Bataille e o surrealismo francês; sobre o erotismo modernista na França e no Brasil; sobre Mário de Andrade, Dalton Trevisan, Roberto Piva, Hilda Hilst e Reinaldo Moraes, entre outros. Organizou a Antologia da poesia erótica brasileira (editada em 2015 no Brasil e em 2017 em Portugal), e duas seleções de contos eróticos brasileiros: O corpo descoberto (1852 a 1922) e O corpo desvelado (1922 a 2022), lançadas em 2018 e 2022 e reunidas na Antologia do conto erótico brasileiro, editada em Portugal em 2024. Assina a organização e o prefácio da Seleta Erótica de Mário de Andrade (2022) e três coletâneas internacionais como co-organizadora (França-Brasil). Publicou sete livros de ensaio, um deles traduzido na Colômbia (Lecciones de Sade, USC Editorial), sendo o mais recente -- A Parte Maldita brasileira - Literatura, Excesso. Erotismo -- editado em Portugal e no Brasil em 2023. Atualmente, orienta trabalhos de Doutorado, além de supervisionar estágios de pós-doutorado.

Referências

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MORAES, E. R. Perversos, amantes e outros trágicos. São Paulo: Iluminuras, 2013.

PAUVERT, J.-J. Sade vivant. Tomo II. Paris: Robert Laffond, 1989.

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SADE, Marquês de. Os 120 dias de Sodoma ou A escola de libertinagem. Tradução de Rosa Freire D’Aguiar. São Paulo: Companhia das Letras / Penguin, 2018.

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