O papel da ficção na biologia de Descartes a Kant
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Trata-se de mostrar brevemente como se dá, no plano das ciências da vida, a passagem do mecanicismo racionalista do século XVII (centrado nas ideias de Descartes) para o empirismo do século XVIII (baseado no paradigma newtoniano), o qual, ao pretender livrar essas ciências da "fábula" cartesiana, acaba elaborando suas próprias "ficções". Se, por um lado, o mecanicismo racionalista parece fracassar no esforço de deduzir as formas orgânicas a partir de princípios e modelos a priori, por outro, o empirismo conduz, nesse contexto, às teorias mais improváveis supostamente baseadas na observação dos fenômenos. Por fim, na transição do século XVIII para o XIX, Kant afirma que a biologia não pode escapar das "ficções", mas seu uso terá de ser legitimado pela crítica.
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
Nota de Direitos Autorais
O autor do artigo ou resenha submetido e aprovado para publicação autoriza os editores a reproduzi-lo e publicá-lo na a revista O que nos faz pensar, entendendo-se os termos "reprodução" e "publicação" conforme a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional. O artigo ou resenha poderá ser acessado tanto pela rede mundial de computadores (WWW – Internet), como pela versão impressa, sendo permitidas, a título gratuito, a consulta e a reprodução do texto para uso próprio de quem a consulta. Essa autorização de publicação não tem limitação de tempo, ficando os editores da revista O que nos faz pensar responsável pela manutenção da identificação do autor do artigo.
Referências
ANDRAULT, R. La vie selon la raison. Physiologie et métaphysique chez Spinoza et Leibniz. Paris: H. Champion, 2014.
ANDRAULT, R. La raison des corps. Paris: Vrin, 2016.
BEISER, F. The fate of reason. German Philosophy from Kant to Fichte. Cambridge: Harvard Univ. Press, 1987.
BITBOL-HESPÉRIÈS, A. Le principe de vie chez Descartes. Paris: Vrin, 1990.
CANGUILHEM, G. O conhecimento da vida. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.
DESCARTES, R. Oeuvres. Ed. de Ch. Adam e P. Tannery. Paris: Vrin, 1996.
DESCARTES, R. Princípios de filosofia. Lisboa: Edições 70, 2006.
DESCARTES, R. O mundo, ou o tratado da luz / O homem. Campinas, SP: Ed. da Unicamp, 2009.
DUCHESNEAU, F. La physiologie des Lumières - Empirisme, modèles et théories. Paris: Ed. Classiques Garnier, 2004.
GASKING, E. Investigations into generation, 1651-1828. Baltimore: Johns Hopkins Press, 1967.
HALL, T. Biological analogs of newtonian paradigms. Philosophy of Science, vol. 35, 1968.
HALLER, A. Elementa physiologiae corporis humani. Lausanne: Sumptibus M. M. Bousquet et Sociorum, 1757.
HARVEY, W. Estudo anatômico sobre o movimento do coração e do sangue nos animais. São Paulo: Ed. Unesp, 2013.
KANT, I. Gesammelte Schriften. Bd 1-22 (hrsg. von der Preussischen Akademie der Wissenschaften), 1902-.
KANT, I. Duas Introduções à Crítica do Juízo. São Paulo: Iluminuras, 1995.
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2001
KANT, I. Crítica da faculdade de julgar. Petrópolis: Vozes, 2016.
PICHOT, A. Histoire de la notion de vie. Paris: Gallimard, 1993.
PINTO-CORREIA, C. O ovário de Eva. A origem da vida. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
ROE, S. Matter, life and generation: eighteenth century embryology and the Haller-Wolff debate. Cambridge: Cambridge Univ. Press, 1981.