Entre um “pensamento objetivado” e uma “racionalidade sem sujeito”: espírito e natureza no estruturalismo levistraussiano

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Rafael Henrique Teixeira
José Francisco Miguel Henriques Bairrão

Resumo

O presente artigo aborda a análise estrutural dos mitos tal qual empreendida por Lévi-Strauss, sua importância para a elaboração da noção levistraussiana de espírito e o modo pelo qual o antropólogo arriscará algumas generalizações conceituais em torno da natureza. Semelhantes intenções implicarão considerar o estruturalismo levistraussiano, segundo justificativa de seu próprio artífice, de um ponto de vista que subsume – sem, contudo, negá-la – a vocação empírica da antropologia a especulações de natureza epistemológica, discerníveis em suas considerações em torno das relações entre a natureza e o espírito bem como acerca do estatuto do sujeito na consolidação do projeto estruturalista de análise comparativa da mitologia ameríndia.

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Biografia do Autor

Rafael Henrique Teixeira, Universidade de São Paulo (USP)

Possui graduação em Ciências Sociais pela USP, mestrado em Antropologia Social pela USP (CNPq), doutorado em Filosofia pela UFSCAR (FAPESP), com estágio de pesquisa na Université Toulouse-Jean Jaurès (BEPE-FAPESP), e doutorado em Psicologia pela USP. Realizou pesquisa de pós-doutorado junto ao Departamento de Filosofia da UNICAMP (FAPESP), ocasião na qual desenvolveu estágio de pesquisa na Université Paris 1 Panthéon-Sorbonne (BEPE-FAPESP).

José Francisco Miguel Henriques Bairrão, Universidade de São Paulo (USP)

José Francisco Miguel Henriques Bairrão graduou-se em Psicologia e em Filosofia pela Universidade de São Paulo (FFLCH e IP). Doutorou-se em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (IFCH) e é Livre-Docente pela Universidade de São Paulo (FFCLRP). Atualmente é pesquisador e docente de Psicologia Social no Departamento de Psicologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo. Coordena o Laboratório de Etnopsicologia desta instituição, onde orienta e desenvolve pesquisas pautadas pelo interesse em não divorciar reflexão epistemológica (Epistemologia da Psicologia, Filosofia da Psicanálise) e pesquisa empírica (Psicologia da Cultura, Psicologia da Religião), bem como abertas a argumentos e contribuições interdisciplinares.

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